Há histórias que continuam presentes mesmo quando aquilo que as causou já passou.
Uma infância marcada pelo abandono, pela negligência ou pela falta de segurança emocional. Uma relação em que você precisou se calar, agradar, duvidar de si mesma ou caminhar o tempo todo com medo de desagradar.
Experiências que fizeram você aprender a sobreviver, mas que ainda podem interferir na maneira como você se relaciona, escolhe, ama e olha para si mesma.
A terapia pode ser um lugar para olhar para essa história com verdade e cuidado.
Meu trabalho é voltado para mulheres que desejam compreender as marcas de suas experiências, reconhecer aquilo que precisaram construir para sobreviver e, pouco a pouco, encontrar uma maneira mais própria de estar no mundo.
Você pode ter aprendido muito cedo a ser forte.
A cuidar de todo mundo.
A não dar trabalho.
A esconder o que sente.
A perceber o humor das pessoas antes mesmo de perceber o seu.
A pedir pouco.
A suportar muito.
Por fora, pode parecer que você dá conta.
Mas, por dentro, existe cansaço.
Talvez você tenha dificuldade de dizer não, sinta culpa quando pensa em si mesma ou tenha a sensação de estar sempre tentando corresponder ao que esperam de você.
Talvez seus relacionamentos sejam marcados pela insegurança, pelo medo de perder, pela necessidade de agradar ou pela dificuldade de estabelecer limites.
E talvez você tenha chegado a um ponto em que já não quer apenas continuar funcionando.
Você quer compreender o que aconteceu com você.
Quer entender por que determinadas situações ainda doem.
Quer voltar a reconhecer a própria voz.
Algumas experiências não terminam quando a situação termina.
O corpo, os vínculos e a maneira de se relacionar podem continuar organizados em torno daquilo que um dia foi necessário para sobreviver.
O trauma emocional pode aparecer na vida adulta de muitas formas: ansiedade, culpa excessiva, dificuldade de confiar, medo de abandono, necessidade de aprovação, dificuldade de colocar limites, sensação de não ser suficiente ou repetição de relacionamentos que machucam.
O abuso emocional também pode deixar marcas profundas.
Ser constantemente desvalorizada, controlada, manipulada, culpabilizada ou levada a duvidar da própria percepção pode fazer com que uma mulher perca, aos poucos, a confiança em si mesma.
Por isso, compreender a própria história importa.
Não para permanecer presa ao passado.
Mas para poder olhar para ele com mais verdade e perceber o que ainda precisa ser elaborado.
As marcas de experiências difíceis podem aparecer justamente onde você menos espera.
Na maneira como você escolhe seus relacionamentos.
Na dificuldade de confiar em alguém.
Na necessidade de agradar.
No medo de decepcionar.
Na culpa quando coloca limites.
Na sensação de precisar ser forte o tempo inteiro.
Na dificuldade de saber o que você realmente quer.
Na sensação de estar desconectada de si mesma.
Muitas mulheres chegam à terapia acreditando que o problema está apenas no presente.
Mas, quando começam a compreender a própria história, percebem que determinados padrões têm uma história.
A terapia não apaga o que aconteceu.
Ela pode ajudar a construir um lugar interno diferente para olhar para essa história e, a partir daí, encontrar novas possibilidades de viver.
Meu trabalho parte da escuta da mulher em sua história concreta.
Não existe uma fórmula pronta para aquilo que você vive.
Cada mulher chega com uma história, uma maneira de se proteger, uma forma de se relacionar e um modo particular de lidar com aquilo que sente.
Ao longo do processo terapêutico, vamos buscando compreender essas experiências, os vínculos construídos ao longo da vida e as formas que você encontrou para lidar com aquilo que não pôde ser vivido ou elaborado naquele momento.
Minha perspectiva é profundamente atravessada pelo pensamento de Donald Winnicott e Sándor Ferenczi, especialmente pela importância do vínculo, da experiência emocional e de um ambiente suficientemente seguro para que algo possa ser elaborado.
É desse lugar que nasce o meu trabalho com o Amparo.
Amparo não significa fragilidade.
Significa encontrar um lugar onde você possa existir sem precisar sustentar o tempo inteiro a personagem da mulher que aguenta tudo.